Existem referências documentais que atestam uma tentativa de criação de uma filarmónica por volta de 1854, envolvendo Avelar e Chão de Couce. Terá, para o efeito, sido então contratado um regente vindo de Coimbra.
A 7 de novembro de 1915 foi fundada a Tuna do Avelar, origem da Sociedade Filarmónica Avelarense. Entre os seus fundadores destacam-se o Padre Manuel Mendes Rosa, José Maria da Paz Medeiros e António Rosa, contando ainda com outros, designadamente: Augusto Figueiredo Dinis, Emídio Simões, Emídio Sequeira Jacob, José Maria Eugénio, José Rosa Arnaut, António Simões, António Fernandes, Francisco Arnaut, Virgílio Mendes Simões, José Antunes Pintassilgo e José Mendes Rosa. A Tuna dedicava-se sobretudo à animação de bailes, festas e cerimónias religiosas em espaços fechados, devido à natureza dos seus instrumentos. Tendo iniciado a sua atividade como tuna com seis músicos, um ano depois contava já com dezassete.
A partir de 1920, com a aquisição de instrumentos de sopro, percussão e clarinetes, bem como de novo fardamento — graças ao apoio de beneméritos e a uma subscrição pública —, o grupo evoluiu para uma filarmónica clássica, passando a atuar também em espaços abertos e em arruadas, contando então já com cerca de 20 elementos.
Em 1932, por ocasião do 17.º aniversário, a coletividade foi destacada na imprensa regional, com fotografias e notícias nos jornais Novo Horizonte e Diário de Coimbra. Ao longo do tempo, a instituição contou com a participação de várias figuras relevantes da comunidade e atravessou períodos de maior e menor atividade, mantendo, contudo, um papel sempre importante na dinamização cultural local.
O emblema da filarmónica seria entretanto criado por Raul Nunes Simões da Silva, o “Raulito”, o qual foi dirigente desta agremiação.
Como regentes da filarmónica estiveram, por exemplo, o Padre Manuel Mendes Rosa, Manuel Rodrigues Rosa, António Ferreira Afonso, Mário Rodrigues Rosa, Manuel Rodrigues Rosa Júnior, Manuel Mendes Rosa da Fonseca, José Coelho Martins e José Maria de Jesus Medeiros.
Na presidência da direção contam-se, entre outros, José Pereira Barata, Manuel Moreira, Emídio Figueiredo Dinis, José Augusto de Medeiros, Francisco Veríssimo, Mário Rodrigues Rosa, Alfredo Simões Fareleiro, João Moreira da Cruz, Basílio Marques Simões, António Cavaca e Amândio Lopes Godinho.
Ao longo de mais de um século de existência, muitos foram os beneméritos e amigos da SFA, alguns dos quais agraciados com partituras de homenagem.
Nos meados dos anos 60 do século XX, a Sociedade Filarmónica Avelarense conseguiu finalmente dispor de um edifício-sede, entretanto ampliado e recentemente reconstruído. Até então, ensaiava em diversos locais, em especial sobre o café “Galito” e na então designada casa do pároco, junto ao Hospital.
Ao longo da sua existência, desenvolveu diversas vertentes de atividade, como o grupo coral, o grupo de cantares populares, o grupo de metais, a “Big Band”, o ensemble de saxofones, a “bandinha”, as marchas populares e a Escola de Música.
Em 1978 deu-se a entrada para a banda das primeiras raparigas, as irmãs Manuela e Ana Isabel Marques, seguindo-se muitas outras, o que trouxe um novo contexto e o reforço da importância desta coletividade.
Hoje centenária, a Sociedade Filarmónica Avelarense tem contribuído significativamente para a cultura regional e para a formação musical de sucessivas gerações. No seu centenário, publicou uma obra comemorativa que reúne a sua história e os nomes daqueles que nela participaram.
Fontes / Bibliografia
-
Livro: Memórias de Filarmónico(s) e outras histórias de Avelar. Eduardo Rego. 2025.
-
Livro: Centenário da Sociedade Filarmónica Avelarense. Manuel A. Dias. 2017.
-
Livro: Os Antigos Avelarenses e sua parentela vicinal. Raul Manuel Coelho. 2025.
-
Internet: Facebook. Página da Sociedade Filarmónica Avelarense