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A comunidade concelhia do Avelar existiria muito antes do seu reconhecimento oficial no contexto do Reino de Portugal, ocorrido entre os séculos XII e XIII. Inicialmente, os primeiros reis exerceram diretamente o domínio senhorial sobre este território, mas cedo o atribuíram, por doação, a nobres de relevo, concedendo-lhes os respetivos direitos senhoriais.
Está documentalmente comprovado que, em agosto de 1221, o rei D. Afonso II doou o senhorio da então designada Herdade do Avelar e Almofala (Aguda) a D. Martim Anes de Riba de Vizela, seu alferes-mor, cargo que correspondia ao mais alto oficial militar da época. Em novembro desse mesmo ano, em dia não referido no documento, Dom Martim Anes concedeu aos moradores, presentes e futuros, uma Carta de Foro, documento que viria, em épocas seguintes, a tomar a designação de Foral.
Admite-se a possibilidade de o rei anterior, D. Sancho I, ter mantido uma ligação próxima a estas terras, as quais confinavam com as de Maçãs de Dona Maria, doadas a D. Maria Pais Ribeiro, a famosa Ribeirinha. Conjetura-se que ambos poderão ter-se encontrado com frequência numa quinta local, cujo nome, Rascoia, poderá derivar desse facto. Era, aliás, comum que os senhores não tivessem moradia na vila, uma vez que esta era considerada sede do poder popular. Tal hipótese poderá ajudar a explicar uma das motivações para a referida doação por parte do filho, D. Afonso II.

O Foral reconhecia formalmente a autonomia concelhia do Avelar e os direitos dos seus moradores, mas implicava também a sujeição a um senhor, a quem eram devidos diversos tributos. Para além do dízimo à Igreja, os habitantes deviam entregar, pelo foral, a oitava parte da produção de cereais, vinho, linho e legumes, com exceção das favas e das ervilhas.
Com a integração definitiva no Reino de Portugal, a autonomia local do Avelar, tal como a de todos os outros concelhos, foi sendo progressivamente reduzida ao longo dos séculos seguintes.

Em 13 de novembro de 2021 assinalaram-se os 800 anos da concessão deste Foral, numa cerimónia promovida pela Junta de Freguesia, com a presença de autoridades municipais e locais e de participantes vindos de localidades vizinhas. No dia anterior, 12 de novembro, data evocativa da reforma manuelina do Foral em 1514, realizou-se o tradicional arraial do dia velho da vila, celebração existente, com especial fervor, desde 1917.
Atualmente, celebra-se também o dia novo da vila, no dia 21 de junho, por referência ao reconhecimento do estatuto de vila, alcançado em 1995, contando sempre com diversas iniciativas promovidas pela Junta de Freguesia e com a colaboração de diversas entidades associativas, tais como a Sociedade Filarmónica Avelarense e a Associação Memória Avelarense.

Publicado por: Freguesia de Avelar
Última atualização: 09-05-2026