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Fundação Nossa Senhora da Guia


A Fundação de Nossa Senhora da Guia tem a sua génese, por um lado, no esforço e dedicação dos avelarenses e dos povos vizinhos ao longo do tempo e, por outro, na antiga devoção e culto populares a Nossa Senhora da Guia. O povo avelarense é quem, decisiva e crucialmente, contribuiu para a existência e continuação viva e ativa desta instituição até aos dias de hoje.

A história e o passado da instituição perdem-se no tempo e na ação de sucessivas gerações de avelarenses. A sua materialização orgânica e formal moderna pode entender-se como começando pelo reconhecimento régio, no século XIX, da então denominada Capela e Hospital de Nossa Senhora da Guia do Avelar.

Este empreendimento foi o que, nesse tempo, se entendeu como o que melhor servia para a aplicação de boa parte dos recursos financeiros da entidade que organizava e geria o culto a Nossa Senhora da Guia, prestado por milhares de devotos, sobretudo em romaria, que aqui encontravam alento, alívio, consolo e alegria, sentindo-se atendidos em graças e animados por um singular, inigualável e impressionante arraial anual.

A documentação fidedigna que se conhece faz remontar a existência desta entidade, então em torno de uma pequena ermida, a meados dos anos seiscentos do milénio passado, há quase 400 anos.

Muito se passou entre 1642 e 1876, ano em que, por ordem régia, se autorizou a construção do hospital. O respetivo regulamento, contudo, só seria publicado em 1881, com a consequente nomeação do seu 1.º administrador, o Dr. Augusto Lopes da Costa Rego.

Antes, no decurso do século XVIII, esta devoção religiosa tornou-se notável, atraindo cada vez mais pessoas, o que gerava maiores rendimentos, mas também exigia um esforço muito grande para atender às respetivas necessidades. Lançaram-se, pois, na criação de uma feira, para o que alcançaram provisão régia em 1767, e empreenderam a construção de uma nova capela, a atual igreja, concluída no início do século XIX.

Lesiva foi a passagem dos exércitos napoleónicos em 1811, causando danos no património da instituição, tanto pelo vandalismo como pelo roubo.

Costa Simões, em 1848, elogiou as gerências de 1818 a 1833, por contraponto a outras que classificou de péssimas, revelando a existência de controvérsia na administração. Sendo esta entidade propriedade do povo, vinha sendo gerida pelos oficiais do concelho do Avelar, transitando em 1836 para os oficiais do município sediado em Chão de Couce.

A situação de alegado mau governo serviria de pretexto para a intervenção do Governo Civil de Leiria. No contexto liberal, a instituição foi sendo juridicamente afastada do seu histórico proprietário, o povo do Avelar, com sucessivas comissões administrativas e conflitos de gestão.

Apesar disso, os povos das antigas Cinco Vilas defenderam a Senhora da Guia e conseguiram autorização para a construção do hospital. Com o primeiro administrador, as festividades anuais ganharam nova vida, preparando-se o espaço para a construção do hospital, iniciada em 1885.

Após a morte de Costa Rego em 1884, sucedeu-lhe Alfredo Manso, com colaboração de Costa Simões na conceção e apoio ao projeto. O hospital contou ainda com contributos de beneméritos locais, como Alfredo Simões Dias.

A instituição teve papel relevante em crises sanitárias, como a gripe espanhola e surtos de febre tifoide, além de funções sociais ligadas ao abastecimento de água, salubridade e organização do espaço urbano.

Com a República, a Lei de Separação do Estado e da Igreja alterou profundamente a administração, retirando o pároco da gestão direta e integrando o presidente da junta de freguesia.

Seguiram-se décadas de instabilidade administrativa, mas a instituição manteve-se ativa, com apoio pontual do Estado e de figuras como Adolfo Leopoldo de Figueiredo.

Entre 1926 e 1936, verificaram-se disputas entre Estado, Igreja e população sobre a administração e património da instituição, incluindo períodos de interdição paroquial.

Apesar das dificuldades, a instituição manteve-se funcional e, nos anos seguintes, enfrentou novas crises, incluindo a Segunda Guerra Mundial, mas também momentos de modernização, como a eletrificação do hospital em 1945.

Nos anos 60, foi formalmente estruturada como fundação, com inauguração modernizada em 1967, destacando-se a mobilização popular e a liderança de Alfredo Dias Coelho.

Após o 25 de Abril, a instituição consolidou o seu estatuto como IPSS, mantendo-se privada e reforçando respostas sociais nas áreas da saúde, educação e solidariedade.

Foram criadas estruturas como o Centro de Bem-Estar Infantil na década de 1970, o Centro de Dia em 1982 e a ERPI em 1994, bem como serviços de apoio domiciliário a partir de 1997.

A Fundação é hoje o maior empregador social da região, envolvendo diariamente cerca de uma centena de profissionais e mantendo múltiplas valências sociais e de saúde.

Após obras de requalificação, foi inaugurada a Unidade de Cuidados Continuados e estabelecido protocolo com a ARS Centro em 2015.

Apesar das dificuldades históricas, a instituição continuou a desenvolver-se, afirmando-se como uma das mais importantes entidades sociais da região.

 

Fontes / Bibliografia

  • Internet: sítio da Fundação Nossa Senhora da Guia

  • Livro: Breve Resenha Histórica da Fundação de Nossa Senhora da Guia do Avelar. 2023. Textiverso, FNSG e AMA.

  • Livro: Os Antigos Avelarenses e sua parentela vicinal. Raul Manuel Coelho. 2025.

Última atualização: 09-05-2026

Informações


Morada: Rua do Castelo

Código Postal: 3240 - 334

Localidade: Avelar

Telefone: +351 236 620 200

Email: geral@fnsg-avelar.com

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